Músicas

Respira: a música de Don P. que transforma autocuidado em som

A faixa Respira, de Don P., se apresenta como um convite direto ao desacelerar. Com influências que passam pelo reggae de Maneva e pela essência atemporal de Bob Marley, a música constrói uma atmosfera leve, mas profundamente necessária. Um respiro em meio ao caos “Respira” não é só um título, é praticamente uma instrução de sobrevivência. Em um cotidiano marcado por pressa, cobranças e sobrecarga emocional, a letra funciona como uma pausa consciente. Frases como “pare um pouco, respire” e “não procure por respostas, elas vêm, continue seguindo” trazem uma mensagem simples, mas poderosa, a de que nem tudo precisa ser resolvido agora. Existe uma sabedoria silenciosa na composição, que rejeita a urgência e abraça o tempo das coisas. A música não tenta acelerar soluções, ela propõe presença. Corpo, mente e movimento Outro ponto interessante é como a letra conecta o cuidado emocional ao corpo. Pequenos gestos ganham protagonismo, lavar o rosto, sentir a brisa, passar a mão no cabelo. São ações cotidianas que, dentro da narrativa, se tornam quase rituais de reconexão. E então vem a virada: “roda, roda, pula, pula”. Aqui, a música rompe qualquer rigidez e traz leveza, quase como um lembrete de que viver também é brincar, se soltar, se permitir. Reggae como linguagem de acolhimento O instrumental segue essa mesma lógica. Com base no reggae, a faixa cria um ambiente sonoro acolhedor, que sustenta a mensagem sem pesar. Diferente de músicas que tratam de temas densos com dramaticidade, “Respira” escolhe o caminho oposto, ela cuida enquanto fala. Essa escolha estética reforça a proposta da música, transformar autocuidado em algo acessível, quase natural. Uma mensagem que fica “Respira” não entrega grandes respostas, e talvez esse seja seu maior acerto. Em vez disso, ela oferece companhia. É o tipo de música que funciona como um lembrete constante de que pausar também faz parte do caminho. No fim, o refrão não pede esforço, não exige mudança brusca, só repete o essencial: Respira… expira. E, às vezes, é exatamente disso que a gente precisa. Ouça aqui

Poesias

Sarau Lítero-Musical reúne poesia, música e crítica social em Itanhaém no dia 30 de abril

No dia 30 de abril, a cidade de Itanhaém foi palco de uma noite marcada por sensibilidade, arte e conexão. O Sarau Lítero-Musical, promovido pela Academia Itanhaense de Letras, reuniu poesia, música e reflexão em um encontro que celebrou não apenas a produção artística local, mas também os 494 anos do município. Realizado na Biblioteca Municipal Poeta Paulo Bomfim, o evento trouxe um ambiente intimista e inspirador, onde diferentes linguagens se cruzaram ao longo da noite. Entre os destaques, a apresentação de Don Policarpo acrescentou ainda mais potência ao sarau, conectando música e crítica em uma performance carregada de presença e significado. Com sua proposta artística, Don dialogou diretamente com o público, levando ao palco não apenas som, mas também discurso. Sua participação reforçou o papel do sarau como um espaço de expressão contemporânea, onde questões sociais e culturais encontram eco na arte. Mais do que um evento, o Sarau Lítero-Musical se firmou como um momento de encontro. Entre versos, acordes e trocas, o público pôde vivenciar a arte em sua forma mais coletiva e viva, celebrando a cultura como ferramenta de transformação e pertencimento. A noite do dia 30 deixou claro que iniciativas como essa seguem essenciais, especialmente em tempos em que a arte precisa ocupar espaços, provocar reflexões e fortalecer identidades. Em Itanhaém, o sarau cumpriu exatamente esse papel.

Músicas

“Òmùgò” como retrato do presente

Partindo do significado da palavra iorubá, “tolo”, “ignorante”, “aquele sem entendimento”, a música se posiciona como uma crítica afiada à realidade contemporânea. Em tempos de excesso de informação, polarização e discursos rasos, Don Policarpo transforma “Òmùgò” em um conceito vivo, não apenas uma ofensa, mas um diagnóstico social. A faixa parece dialogar com comportamentos coletivos, a repetição de ideias sem reflexão, a ausência de senso crítico e a desconexão com saberes mais profundos. Nesse sentido, o termo deixa de ser individual e passa a representar estruturas e dinâmicas maiores. Um instrumental que sustenta a tensão Se a letra provoca, o instrumental sustenta. A produção da música é marcada por uma base forte, densa e pulsante. Há uma sensação quase constante de tensão, como se cada batida carregasse urgência. Esse peso sonoro não é gratuito, ele acompanha o tom crítico da faixa e amplifica a mensagem. O contraste entre ritmo envolvente e densidade temática cria um efeito interessante, o ouvinte é capturado primeiro pelo som, mas permanece pela reflexão. Entre crítica e consciência Mais do que apontar culpados, “Òmùgò” parece propor um incômodo necessário. A música sugere que a ignorância não é apenas uma característica individual, mas também um produto de contextos sociais, políticos e culturais. Ao usar um termo de origem iorubá, Don Policarpo também reforça uma camada importante, a valorização de saberes ancestrais como contraponto a esse estado de alienação. É quase como se a faixa dissesse que o caminho para sair da ignorância passa também pela reconexão com essas raízes. Por que essa música importa agora Em um cenário onde o debate público muitas vezes se perde entre ruídos e superficialidade, “Òmùgò” surge como uma obra que tensiona, questiona e provoca. Não entrega respostas fáceis, e talvez esse seja exatamente o ponto. Don Policarpo constrói aqui uma música que não apenas acompanha o tempo em que foi lançada, mas dialoga diretamente com ele. No fim, “Òmùgò” não é só uma faixa para ouvir, é uma experiência para interpretar. E, principalmente, para se posicionar diante dela.

Músicas

“Encruzilhada”: o peso das escolhas e a coragem de seguir

Na música “Encruzilhada”, de Don Policarpo, o caminho não é linear, nem previsível. A canção mergulha em um cenário de incertezas, onde o eu lírico caminha por trajetos turvos, reconhecendo que nem sempre tem o controle da direção, mas ainda assim se mantém firme. Não se curvar, aqui, é um posicionamento diante da vida. As imagens utilizadas são ricas e muito concretas. Ruas, avenidas, estradas, trilhas, pinguelas e picadas desenham um mapa simbólico de possibilidades. São caminhos diferentes, ritmos diferentes, realidades distintas que, no fim, levam ao mesmo ponto, a encruzilhada. E é justamente nesse ponto que a música se aprofunda. A encruzilhada surge como metáfora central. Um lugar onde parar é inevitável e escolher é necessário. Mas ao contrário da ideia de infinitas possibilidades, a música aponta para algo mais realista. As opções são raras e, muitas vezes, difíceis. “A escolha é cara” traduz bem o custo emocional e as consequências que cada decisão carrega. Existe também um reconhecimento importante do erro. Nem sempre se acerta na primeira tentativa. E isso não aparece como fracasso, mas como parte do processo. A força está em manter a “coluna ereta”, uma imagem que remete à dignidade, à integridade e à resiliência. É essa postura que permite “furar a bolha”, sair de padrões limitantes e avançar. O refrão traz uma espécie de mantra. “Confiar é a opção” e “sigo a regra do coração” funcionam como bússola em meio à incerteza. Quando a lógica não é suficiente e o caminho não é claro, confiar em si mesmo passa a ser o guia mais honesto. Assim como em outras faixas de Don Policarpo, a repetição não é apenas estética, ela reforça a ideia de ciclo, de tentativa, de insistência. A vida como uma sequência de encruzilhadas, onde cada escolha abre novos caminhos e novas dúvidas. No fim, “Encruzilhada” não oferece respostas prontas. Ela reconhece o desconforto de não saber, valoriza a coragem de decidir e aponta para algo essencial. Mesmo sem controle total, ainda é possível seguir com consciência, firmeza e verdade. Ouça Agora

Músicas

“Eu, enfim”: quando se escolher vira o ponto de virada

A nova música “Eu, enfim”, de Don Policarpo, disponível na MuvFlow, traz uma narrativa direta e sensível sobre um processo que muita gente conhece bem, o de se anular para caber no outro, até perceber que isso cobra um preço alto demais. Logo nos primeiros versos, a repetição de ideias como “abri mão”, “deixei passar” e “declinei” constrói um cenário de concessões constantes. Há quase um ritmo de desgaste emocional nessas escolhas, como se cada decisão fosse mais um passo em direção ao apagamento de si. A música não romantiza isso, pelo contrário, evidencia o quanto esse movimento pode ser silencioso e cumulativo. O ponto de virada chega com o tempo. “Aí acordei e tudo mudou” marca não apenas uma mudança de atitude, mas um despertar de consciência. É quando o eu lírico deixa de agir apenas para agradar e passa a reconhecer seus próprios desejos. Existe aqui uma quebra importante, sair da passividade e assumir a própria direção. Mesmo sendo uma canção sobre afirmação pessoal, “Eu, enfim” não segue por um caminho de ruptura agressiva. Há continuidade no afeto. “Estou com você com seu jeito assim” mostra que o outro ainda importa, mas agora dentro de um novo equilíbrio. O pedido “me deixe ser do meu jeito enfim” sintetiza o coração da música, não é sobre afastamento, é sobre espaço. A repetição dos trechos reforça a ideia de ciclo, algo que se repete até ser percebido e transformado. E quando isso acontece, a mudança não é apenas externa, mas interna, mais consciente, mais firme. Disponível na MuvFlow, a faixa se conecta com um cenário contemporâneo em que artistas independentes conseguem compartilhar suas histórias com mais liberdade e alcance. E “Eu, enfim” se encaixa bem nesse contexto, é uma música íntima, honesta e necessária, que transforma um processo pessoal em identificação coletiva. No fim, fica uma mensagem simples, mas poderosa. Estar com alguém não pode significar deixar de ser quem você é. E às vezes, o maior ato de coragem é justamente esse, se escolher. Enfim. Ouça Aqui

Arte

Sarau do Jabaquara celebra 5 anos na Casa das Rosas com presença de Don Policarpo

O Sarau do Jabaquara 5 anos ganha ainda mais força com uma programação especial realizada na Casa das Rosas, um dos principais espaços dedicados à literatura e à poesia na cidade. A celebração marca a trajetória de um coletivo que, desde 2020, vem fortalecendo a cena cultural da zona sul de São Paulo. O evento acontece no dia 25 de abril de 2026, sábado, das 15h às 17h, com entrada gratuita, reunindo poetas, escritores, músicos e o público em encontros de microfone aberto. A proposta mantém viva a tradição literária do território, promovendo um espaço democrático de expressão, escuta coletiva e formação cultural. Entre os destaques da programação está Don Policarpo, uma das vozes que marcam esta edição especial. Além de sua participação no sarau, o artista apresenta a obra “A Magia da Poesia Cantante”, uma antologia poética musical que reforça o diálogo entre literatura e música, ampliando as possibilidades sensíveis da palavra falada e cantada. A realização conta com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, em parceria com instituições culturais como o programa CULTSP e o Instituto Poiesis, responsáveis pela gestão e promoção de iniciativas que valorizam a produção artística contemporânea. Mais do que uma comemoração, esta edição do Sarau do Jabaquara reafirma seu papel como um ponto de encontro entre diferentes linguagens e vivências. Um espaço onde a arte acontece de forma acessível, coletiva e transformadora, mantendo viva a potência da poesia nas ruas e nos encontros.

Arte

FLAL Show Internacional: literatura, música e conexões além das fronteiras

O encontro promovido pela FLAL – Festival de Literatura e Artes Literárias reafirmou um propósito essencial: a literatura como ponte entre culturas, vozes e experiências. Diretamente da Itália, o evento foi conduzido por Simona Adivincula, reunindo convidados de diferentes trajetórias para um momento de troca, expressão e fortalecimento artístico. Realizado dentro da programação do FLAL Show Internacional, em sua 14ª edição, com o tema “Parole senza Frontiere”, o festival aconteceu entre os dias 23 de março e 30 de abril, consolidando-se como um espaço de conexão global. A proposta é clara e necessária: promover a literatura e as artes literárias na perspectiva de que, juntos, é possível gerar impacto e transformação. No dia 7 de abril, às 17h, o público acompanhou um encontro especial com os convidados Márcio Zacarias, Don Policarpo, Shirley Ferro e Djalma Moraes. Cada participação trouxe nuances únicas, entre falas, vivências e expressões artísticas que dialogam com o tempo presente. A presença de Don Policarpo acrescentou ao evento uma camada musical sensível e autêntica, ampliando ainda mais o alcance da proposta do festival. Sua participação reforça como a música também é linguagem literária, capaz de traduzir sentimentos, provocar reflexões e aproximar pessoas. Mais do que um evento, o FLAL Show Internacional se firma como um movimento coletivo. Um espaço onde diferentes formas de arte se encontram para construir algo maior. A cada edição, a mensagem se fortalece: é na soma de vozes, histórias e talentos que a cultura se expande e faz a diferença. CONFIRA AS APRESENTAÇÕES ABAIXO:

Músicas

Caras: quando o afeto esbarra no cansaço

Na música “Caras”, de Don Policarpo, o que começa com humor rapidamente revela algo mais profundo. A faixa brinca com expressões do cotidiano, “cara fechada, cara irritada, cara de paisagem, cara de bunda”, mas por trás dessa leveza existe um retrato muito real de relações que vão se desgastando aos poucos. Aqui, o foco não está na ausência de sentimento. Pelo contrário. A música fala justamente sobre gostar de alguém e, ainda assim, se ver exausto diante de comportamentos repetitivos que afastam, silenciam e confundem. Pequenas atitudes, olhares atravessados, reações automáticas. Tudo isso vai acumulando e criando um ruído que interfere no que antes era simples. Existe algo de muito humano nessa narrativa. Quem nunca se pegou tentando entender o humor do outro, decifrando expressões, medindo palavras para evitar um clima ruim. Aos poucos, o que era espontâneo vira esforço. E o esforço constante cansa. A leveza se perde, e com ela, os rumos da relação começam a se embaralhar. “Caras” transforma esse cenário em uma espécie de desabafo bem humorado, mas honesto. É como se dissesse que o problema nem sempre está nas grandes brigas, mas nas pequenas tensões do dia a dia que, quando ignoradas, crescem. E crescem justamente onde existe afeto. No fim, a música deixa uma sensação agridoce. Entre risadas e identificação, ela aponta para algo importante. Relações precisam de presença, de escuta e, principalmente, de disposição para ajustar o que está desalinhado. Caso contrário, o que fica são apenas as caras. E os caminhos que, sem perceber, acabam se perdendo.

Músicas

Tim-tim por Tim-tim: um convite para mergulhar na vida

A música “Tim-tim por Tim-tim”, de Don Policarpo, é mais do que uma composição envolvente. É um convite direto para viver com intensidade e presença, sem reservas. Ao longo da faixa, o artista constrói uma analogia sensível entre o ato de brindar e o de se entregar por completo às experiências da vida. O “tim-tim”, geralmente associado à celebração, ganha aqui um significado mais profundo. Não é apenas sobre comemorar, mas sobre aceitar cada momento em sua totalidade, detalhe por detalhe. Tim-tim por tim-tim. Cada gole representa uma escolha consciente. Apertar o botão. Começar algo novo, mesmo sem saber exatamente onde isso vai dar. A música conversa com aquele instante em que surge o medo do desconhecido. Em vez de recuar, ela propõe o oposto. Embarcar. Existe uma beleza no risco, na decisão de mergulhar em sentimentos, projetos e relações. Don Policarpo transforma essa ideia em som e reforça que viver de verdade exige coragem para sair da superfície. Procurar também é parte essencial dessa narrativa. Não se trata apenas de encontrar respostas, mas de se permitir viver o processo. A busca se torna tão importante quanto o destino. A canção não fecha caminhos. Pelo contrário, ela abre possibilidades e convida cada pessoa a interpretar esse brinde à sua própria maneira. No fim, “Tim-tim por Tim-tim” funciona como um lembrete simples e potente. A vida não acontece pela metade. É preciso apertar o botão, aceitar o convite e se permitir sentir tudo. Intensidade, dúvida, prazer e transformação. Porque é assim, gole por gole, que a gente realmente vive.   OUÇA AGORA!

Por onde ando, o caminho é turvo. Nem sempre eu comando, mesmo assim, não me curvo. Ruas, avenidas, estradas, trilhas, pinguelas, picadas, levam sem dizer nada, direto para a encruzilhada. Quando se apresenta, as opções são raras, a seta aponta, a escolha é cara. Nem sempre se acerta na primeira escolha. Mantendo a coluna ereta, conseguirá furar a bolha. Vai daí, se for daqui. Confiar é a opção. Vou daqui, se for daí. Sigo a regra do coração.
Poesias

Vou daqui, se for daí. Sigo a regra do coração! – Don Policarpo

Por onde ando, o caminho é turvo. Nem sempre eu comando, mesmo assim, não me curvo. Ruas, avenidas, estradas, trilhas, pinguelas, picadas, levam sem dizer nada, direto para a encruzilhada. Quando se apresenta, as opções são raras, a seta aponta, a escolha é cara. Nem sempre se acerta na primeira escolha. Mantendo a coluna ereta, conseguirá furar a bolha. Vai daí, se for daqui. Confiar é a opção. Vou daqui, se for daí. Sigo a regra do coração.

Sobre Don Policarpo

DALVILSON DONIZETE POLICARPO
São Paulo – SP
Nascido em 16 de novembro de 1963
Inaugurado/Registrado em 20 de janeiro de 1964

Técnico de Meio Ambiente, Graduado em Geografia, Professor do Estado e Pós Graduou-se em História da África e Docência Superior.
Metroviário por 35 anos onde atuou como Agente de Segurança.
Devido as condições de trabalho requererem muita luta em prol de suas melhorias e devido a eloquência e posicionamentos, foi eleito para a direção do sindicato, para a CIPA e na sequência para a Federação da categoria.
Formulou os projetos de lei 644/16 na ALESP (finalizado) e 6369/16 Câmara Federal, em andamento.

Assim, começou a levantar documentos, na defesa do seu setor e quando percebeu já tinha subsídios para publicar o primeiro livro em 2018, com 55 anos, lança TRAJETÓRIAS E CAMINHOS DA SEGURANÇA METROVIÁRIA DE SÃO PAULO, que conta a história da implantação do Metrô no Brasil e, por necessidade, o Corpo de segurança. Lançado também, em francês.

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