“Encruzilhada”: o peso das escolhas e a coragem de seguir

Na música “Encruzilhada”, de Don Policarpo, o caminho não é linear, nem previsível. A canção mergulha em um cenário de incertezas, onde o eu lírico caminha por trajetos turvos, reconhecendo que nem sempre tem o controle da direção, mas ainda assim se mantém firme. Não se curvar, aqui, é um posicionamento diante da vida.

As imagens utilizadas são ricas e muito concretas. Ruas, avenidas, estradas, trilhas, pinguelas e picadas desenham um mapa simbólico de possibilidades. São caminhos diferentes, ritmos diferentes, realidades distintas que, no fim, levam ao mesmo ponto, a encruzilhada. E é justamente nesse ponto que a música se aprofunda.

A encruzilhada surge como metáfora central. Um lugar onde parar é inevitável e escolher é necessário. Mas ao contrário da ideia de infinitas possibilidades, a música aponta para algo mais realista. As opções são raras e, muitas vezes, difíceis. “A escolha é cara” traduz bem o custo emocional e as consequências que cada decisão carrega.

Existe também um reconhecimento importante do erro. Nem sempre se acerta na primeira tentativa. E isso não aparece como fracasso, mas como parte do processo. A força está em manter a “coluna ereta”, uma imagem que remete à dignidade, à integridade e à resiliência. É essa postura que permite “furar a bolha”, sair de padrões limitantes e avançar.

O refrão traz uma espécie de mantra. “Confiar é a opção” e “sigo a regra do coração” funcionam como bússola em meio à incerteza. Quando a lógica não é suficiente e o caminho não é claro, confiar em si mesmo passa a ser o guia mais honesto.

Assim como em outras faixas de Don Policarpo, a repetição não é apenas estética, ela reforça a ideia de ciclo, de tentativa, de insistência. A vida como uma sequência de encruzilhadas, onde cada escolha abre novos caminhos e novas dúvidas.

No fim, “Encruzilhada” não oferece respostas prontas. Ela reconhece o desconforto de não saber, valoriza a coragem de decidir e aponta para algo essencial. Mesmo sem controle total, ainda é possível seguir com consciência, firmeza e verdade.

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Sobre Don Policarpo

DALVILSON DONIZETE POLICARPO
São Paulo – SP
Nascido em 16 de novembro de 1963
Inaugurado/Registrado em 20 de janeiro de 1964

Técnico de Meio Ambiente, Graduado em Geografia, Professor do Estado e Pós Graduou-se em História da África e Docência Superior.
Metroviário por 35 anos onde atuou como Agente de Segurança.
Devido as condições de trabalho requererem muita luta em prol de suas melhorias e devido a eloquência e posicionamentos, foi eleito para a direção do sindicato, para a CIPA e na sequência para a Federação da categoria.
Formulou os projetos de lei 644/16 na ALESP (finalizado) e 6369/16 Câmara Federal, em andamento.

Assim, começou a levantar documentos, na defesa do seu setor e quando percebeu já tinha subsídios para publicar o primeiro livro em 2018, com 55 anos, lança TRAJETÓRIAS E CAMINHOS DA SEGURANÇA METROVIÁRIA DE SÃO PAULO, que conta a história da implantação do Metrô no Brasil e, por necessidade, o Corpo de segurança. Lançado também, em francês.

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