Aperto o Play: memória, saudade e afeto

A canção Aperto o Play, de Don P., mergulha em um território emocional que todo mundo reconhece, a saudade. Com uma narrativa construída a partir de referências simples e cotidianas, a faixa transforma lembranças em movimento, como se a vida pudesse mesmo ser pausada, rebobinada e revivida.

Quando lembrar é reviver

Logo nos primeiros versos, a música apresenta sua proposta com imagens claras, “volto a fita”, “paro o vídeo”, “adianto e atraso”. São ações que fazem parte do universo audiovisual, mas que aqui ganham um novo significado, o de revisitar momentos vividos.

Existe uma delicadeza na forma como a letra trata essas memórias. Não é sobre nostalgia pesada, mas sobre carinho. Sobre escolher voltar a determinados instantes porque eles ainda aquecem.

O contraste com o presente digital

Um dos pontos mais interessantes da música é o contraste entre passado e presente. Ao dizer que “as fotos lá das redes são geladas demais”, Don P. provoca uma reflexão direta sobre a superficialidade das interações atuais.

As redes mostram, mas não transmitem. Registram, mas não traduzem sentimento. E é nesse vazio que a memória afetiva ganha força, porque ela não depende de filtro, algoritmo ou validação externa.

O HD do coração

A metáfora central da música talvez seja uma das mais potentes, o “HD do coração”. É ali que ficam armazenadas as verdadeiras experiências, aquelas que não cabem em arquivos digitais.

Amizade, amor, união, tudo isso aparece como fragmentos de um filme interno, que pode ser acessado a qualquer momento. E, diferente da tecnologia, esse arquivo não perde qualidade com o tempo, ele ganha significado.

Saudade como presença

“Aperto o play e você volta a me encher de emoção” resume o espírito da faixa. A saudade, aqui, não é ausência, é uma forma de presença. É a capacidade de trazer alguém de volta através da lembrança.

A música entende que sentir falta também é uma maneira de continuar conectado. E, em vez de evitar esse sentimento, ela o acolhe.

Uma canção sobre sentir

“Aperto o Play” não precisa de complexidade para funcionar. Sua força está justamente na simplicidade com que aborda temas profundos. É uma música sobre lembrar, sobre sentir e sobre reconhecer que algumas conexões continuam vivas, mesmo quando o tempo passa.

No fim, fica a sensação de que todos nós, em algum momento, apertamos esse play interno, e deixamos a memória tocar.

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Sobre Don Policarpo

Multiartista, geógrafo, escritor, poeta e compositor. Amplamente reconhecido como educador, acumulando mais de duas décadas de forte atuação no cenário cultural paulista e do litoral do estado de São Paulo.
DON POLICARPO
DALVILSON DONIZETE POLICARPO

Técnico em Meio Ambiente, graduado em Geografia, professor da rede estadual e pós-graduado em História da África e Docência do Ensino Superior, Don Policarpo também dedicou 35 anos de sua trajetória profissional ao Metrô de São Paulo, onde atuou como agente de segurança.

Ao longo de sua carreira, envolveu-se ativamente na luta por melhores condições de trabalho. Sua eloquência e seus posicionamentos o levaram a ser eleito para a direção do sindicato, para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e, posteriormente, para a federação da categoria. Também participou da formulação dos Projetos de Lei nº 644/2016, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), e nº 6.369/2016, na Câmara dos Deputados.

Foi durante esse período, ao reunir documentos e registros em defesa de sua categoria, que encontrou material para sua primeira publicação. Em 2018, aos 55 anos, lançou ** Trajetórias e Caminhos da Segurança Metroviária de São Paulo **, obra que aborda a história da implantação do Metrô no Brasil e a criação de seu corpo de segurança. O livro também ganhou uma edição em francês.

A partir dessa primeira publicação, Don Policarpo ampliou sua trajetória literária, transformando experiências pessoais, reflexões sociais e sua relação com a cultura em novas obras. Sua produção passou a reunir poesia, música, história e questões sociais, expandindo sua atuação como escritor, poeta, cantor, professor, roteirista adaptador e ator.

Entre suas publicações, destaca-se a coleção ** A Magia da Poesia Cantante **, projeto que aproxima literatura e musicalidade e que chegou ao terceiro volume em 2026. Sua trajetória artística também inclui outras obras literárias, participações em saraus, apresentações musicais, projetos culturais e iniciativas voltadas à valorização da arte, da educação e da literatura.

Em setembro de 2026, recebeu o Prêmio Mceys Qualidade Brasil, na categoria Escritor e Poeta, durante a 12ª edição do evento, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo. A homenagem representou o reconhecimento de sua trajetória literária e de sua contribuição para a cultura.

Don segue ampliando sua produção artística, participando de encontros culturais e levando sua poesia a novos públicos, conectando arte, memória, educação e transformação social.

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