DESCAMINHANDO se apresenta como uma obra em estado de alerta. Assinada por Don Policarpo, com letra do artista e produção geral de Marcelo Villano, a poesia cantante nasce como um manifesto sonoro que tensiona estruturas, comportamentos e discursos enraizados na sociedade contemporânea.
A produção carrega críticas sociais em múltiplos níveis: políticas, existenciais, culturais e humanas, costuradas por um instrumental que não apenas acompanha a palavra, mas a impulsiona. A sonoridade dá corpo à mensagem, criando um ambiente quase insurgente, onde ritmo e texto caminham juntos na construção de uma narrativa de enfrentamento. Em DESCAMINHANDO, o som não é cenário: é combustível para a revolução da ideia.
A escolha pelo formato de poesia cantante reforça o caráter híbrido da obra, que transita entre música, performance e literatura. Don Policarpo utiliza a palavra como ferramenta de questionamento, rompendo com caminhos previsíveis e propondo novos desvios, conscientes, críticos e necessários. O “des-caminhar” aqui não é perda, mas escolha: sair da rota imposta para enxergar outras possibilidades de existência.
A produção de Marcelo Villano potencializa essa intenção ao criar uma base instrumental pulsante, carregada de tensão e movimento, que sustenta o discurso sem diluí-lo. Cada camada sonora contribui para ampliar o impacto da mensagem, tornando a obra ainda mais provocadora e atual.
Don Policarpo já antecipa que 2026 será marcado por críticas veementemente ousadas em sua produção artística. DESCAMINHANDO surge, assim, como um prenúncio desse novo ciclo: mais direto, mais incisivo e ainda mais comprometido com a urgência de dizer.
Uma obra que não pede conforto, mas escuta atenta. DESCAMINHANDO convida o público a sair do lugar comum e encarar, sem atalhos, as contradições do nosso tempo.







