A arte de Don Policarpo sempre foi marcada pela busca por texturas, camadas e significados. Em sua nova série de telas, o artista aprofunda essa pesquisa, explorando materiais como argamassa, adereços, fita crepe, resinas e tintas, criando superfícies que ultrapassam o plano e convidam o olhar a mergulhar em sua tridimensionalidade.
Cada obra surge como uma pergunta visual, um convite à reflexão sobre o espaço, o tempo e as percepções que carregamos.
A janela e o céu
Nesta tela, Don Policarpo evoca a ideia de horizonte: o encontro entre o dentro e o fora, entre o limite da janela e a imensidão do céu. A argamassa ganha corpo como moldura simbólica, enquanto as cores revelam a sensação de infinito e abertura.
Como?
Aqui, o questionamento é o próprio tema. A obra nasce da inquietação e do gesto experimental: fita crepe, resina e tinta dialogam em camadas que não buscam respostas prontas, mas deixam transparecer a dúvida como motor da criação artística.
Caminhos
Em “Caminhos”, a matéria é usada como metáfora para trajetórias de vida. As texturas irregulares, as sobreposições e as marcas da argamassa e da tinta remetem ao percurso que se constrói passo a passo, com desvios, encontros e descobertas.
Uma poética da matéria
Ao trabalhar com elementos brutos e cotidianos como a argamassa e a fita crepe, Don Policarpo transforma materiais de uso comum em suportes de poesia visual. Seu processo revela que a arte pode nascer do simples, do improvisado e do experimental, e ainda assim carregar uma força simbólica capaz de nos tocar profundamente.
As telas “A janela e o céu”, “Como?” e “Caminhos” não são apenas obras visuais: são experiências sensoriais que nos lembram de olhar para além da superfície e escutar o que a matéria tem a dizer.







