Lançado no ano passado, o episódio “Se soubesse tocar”, do podcast Fala Poli, segue atual não por acaso, mas por essência. Em tempos em que tudo soa acelerado, a poesia de Don Policarpo retorna como um convite à escuta: de si, do outro e do que não se mede.
O áudio se inicia com um ukulele levemente descompassado, quase tímido, como se buscasse o próprio ritmo. Em seguida, Don Policarpo entra em cena recitando uma poesia romântica que atravessa o sentido literal da música e propõe outra afinação: tocar para além de um instrumento.
“Se eu soubesse tocar, gostaria de tocar seu coração…”. A frase não se apresenta como metáfora vazia, mas como gesto. Tocar, aqui, é presença, é intenção, é sensibilidade. É sobre aquilo que vibra sem precisar de técnica, mas exige verdade.
Mais do que um episódio de podcast, “Se soubesse tocar” permanece como um registro poético que dialoga com o agora, lembrando que algumas criações não pertencem a uma data específica, elas pertencem ao tempo de quem escuta.







