“Encruzilhada”: o peso das escolhas e a coragem de seguir

Na música “Encruzilhada”, de Don Policarpo, o caminho não é linear, nem previsível. A canção mergulha em um cenário de incertezas, onde o eu lírico caminha por trajetos turvos, reconhecendo que nem sempre tem o controle da direção, mas ainda assim se mantém firme. Não se curvar, aqui, é um posicionamento diante da vida.

As imagens utilizadas são ricas e muito concretas. Ruas, avenidas, estradas, trilhas, pinguelas e picadas desenham um mapa simbólico de possibilidades. São caminhos diferentes, ritmos diferentes, realidades distintas que, no fim, levam ao mesmo ponto, a encruzilhada. E é justamente nesse ponto que a música se aprofunda.

A encruzilhada surge como metáfora central. Um lugar onde parar é inevitável e escolher é necessário. Mas ao contrário da ideia de infinitas possibilidades, a música aponta para algo mais realista. As opções são raras e, muitas vezes, difíceis. “A escolha é cara” traduz bem o custo emocional e as consequências que cada decisão carrega.

Existe também um reconhecimento importante do erro. Nem sempre se acerta na primeira tentativa. E isso não aparece como fracasso, mas como parte do processo. A força está em manter a “coluna ereta”, uma imagem que remete à dignidade, à integridade e à resiliência. É essa postura que permite “furar a bolha”, sair de padrões limitantes e avançar.

O refrão traz uma espécie de mantra. “Confiar é a opção” e “sigo a regra do coração” funcionam como bússola em meio à incerteza. Quando a lógica não é suficiente e o caminho não é claro, confiar em si mesmo passa a ser o guia mais honesto.

Assim como em outras faixas de Don Policarpo, a repetição não é apenas estética, ela reforça a ideia de ciclo, de tentativa, de insistência. A vida como uma sequência de encruzilhadas, onde cada escolha abre novos caminhos e novas dúvidas.

No fim, “Encruzilhada” não oferece respostas prontas. Ela reconhece o desconforto de não saber, valoriza a coragem de decidir e aponta para algo essencial. Mesmo sem controle total, ainda é possível seguir com consciência, firmeza e verdade.

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Sobre Don Policarpo

Multiartista, geógrafo, escritor, poeta e compositor. Amplamente reconhecido como educador, acumulando mais de duas décadas de forte atuação no cenário cultural paulista e do litoral do estado de São Paulo.
DON POLICARPO
DALVILSON DONIZETE POLICARPO

Técnico em Meio Ambiente, graduado em Geografia, professor da rede estadual e pós-graduado em História da África e Docência do Ensino Superior, Don Policarpo também dedicou 35 anos de sua trajetória profissional ao Metrô de São Paulo, onde atuou como agente de segurança.

Ao longo de sua carreira, envolveu-se ativamente na luta por melhores condições de trabalho. Sua eloquência e seus posicionamentos o levaram a ser eleito para a direção do sindicato, para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e, posteriormente, para a federação da categoria. Também participou da formulação dos Projetos de Lei nº 644/2016, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), e nº 6.369/2016, na Câmara dos Deputados.

Foi durante esse período, ao reunir documentos e registros em defesa de sua categoria, que encontrou material para sua primeira publicação. Em 2018, aos 55 anos, lançou ** Trajetórias e Caminhos da Segurança Metroviária de São Paulo **, obra que aborda a história da implantação do Metrô no Brasil e a criação de seu corpo de segurança. O livro também ganhou uma edição em francês.

A partir dessa primeira publicação, Don Policarpo ampliou sua trajetória literária, transformando experiências pessoais, reflexões sociais e sua relação com a cultura em novas obras. Sua produção passou a reunir poesia, música, história e questões sociais, expandindo sua atuação como escritor, poeta, cantor, professor, roteirista adaptador e ator.

Entre suas publicações, destaca-se a coleção ** A Magia da Poesia Cantante **, projeto que aproxima literatura e musicalidade e que chegou ao terceiro volume em 2026. Sua trajetória artística também inclui outras obras literárias, participações em saraus, apresentações musicais, projetos culturais e iniciativas voltadas à valorização da arte, da educação e da literatura.

Em setembro de 2026, recebeu o Prêmio Mceys Qualidade Brasil, na categoria Escritor e Poeta, durante a 12ª edição do evento, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo. A homenagem representou o reconhecimento de sua trajetória literária e de sua contribuição para a cultura.

Don segue ampliando sua produção artística, participando de encontros culturais e levando sua poesia a novos públicos, conectando arte, memória, educação e transformação social.

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