Lala e o Arco-Íris que Não Chegou ao Fim

No caminho para casa, Lala sentia como se tivesse retirado uma tonelada das costas. Era a sensação exata de quem consegue sair de um buraco profundo, de um quarto escuro sem janelas, ou melhor, de uma janela antes embaçada que, após a limpeza, finalmente permite enxergar o mundo lá fora. Agora os caminhos estavam visíveis. O horizonte, possível.

Enquanto caminhava, uma chuva leve de verão começou a cair sobre a praça. As pessoas reagiam de formas distintas: algumas corriam em busca de abrigo, outras se entregavam ao instante, pulavam, se molhavam, riam, olhavam para o céu como quem agradece um presente inesperado. Lala caminhava devagar. Estava livre do enlace que a esperava — ou que a prendia.

Ao som distante da revoada dos pássaros e sentindo os pingos da chuva tocarem sua pele, tirou as sandálias. Com os pés no chão, seguiu andando e pulando, como se brincasse de amarelinha. Livre, leve, solta. Quase flutuava.

No final da praça, um arco-íris se formou no horizonte. Sem pensar duas vezes, Lala virou criança. Passou a recolher pedacinhos daquele arco-íris imaginário e guardá-los em sua bolsinha invisível, como fazia quando pequena, distribuindo encantamento por onde passava. Ria sozinha, perdida nas lembranças da infância, leve como uma pluma, feliz como quem assiste a palhaços no circo e esquece, por instantes, que o mundo pode ser cruel.

Não percebeu quando Guga surgiu por trás. Não ouviu o passo, não sentiu o medo chegar. O disparo foi certeiro. Mirou a nuca. Lala não sentiu dor. Apenas caiu.

Este é o ato final de Meu amo, meu dono, meu senhor, já foi o meu amor.
Uma história que não termina para chocar, mas para despertar.

Conscientizar para combater.

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Sobre Don Policarpo

Multiartista, geógrafo, escritor, poeta e compositor. Amplamente reconhecido como educador, acumulando mais de duas décadas de forte atuação no cenário cultural paulista e do litoral do estado de São Paulo.
DON POLICARPO
DALVILSON DONIZETE POLICARPO

Técnico em Meio Ambiente, graduado em Geografia, professor da rede estadual e pós-graduado em História da África e Docência do Ensino Superior, Don Policarpo também dedicou 35 anos de sua trajetória profissional ao Metrô de São Paulo, onde atuou como agente de segurança.

Ao longo de sua carreira, envolveu-se ativamente na luta por melhores condições de trabalho. Sua eloquência e seus posicionamentos o levaram a ser eleito para a direção do sindicato, para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e, posteriormente, para a federação da categoria. Também participou da formulação dos Projetos de Lei nº 644/2016, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), e nº 6.369/2016, na Câmara dos Deputados.

Foi durante esse período, ao reunir documentos e registros em defesa de sua categoria, que encontrou material para sua primeira publicação. Em 2018, aos 55 anos, lançou ** Trajetórias e Caminhos da Segurança Metroviária de São Paulo **, obra que aborda a história da implantação do Metrô no Brasil e a criação de seu corpo de segurança. O livro também ganhou uma edição em francês.

A partir dessa primeira publicação, Don Policarpo ampliou sua trajetória literária, transformando experiências pessoais, reflexões sociais e sua relação com a cultura em novas obras. Sua produção passou a reunir poesia, música, história e questões sociais, expandindo sua atuação como escritor, poeta, cantor, professor, roteirista adaptador e ator.

Entre suas publicações, destaca-se a coleção ** A Magia da Poesia Cantante **, projeto que aproxima literatura e musicalidade e que chegou ao terceiro volume em 2026. Sua trajetória artística também inclui outras obras literárias, participações em saraus, apresentações musicais, projetos culturais e iniciativas voltadas à valorização da arte, da educação e da literatura.

Em setembro de 2026, recebeu o Prêmio Mceys Qualidade Brasil, na categoria Escritor e Poeta, durante a 12ª edição do evento, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo. A homenagem representou o reconhecimento de sua trajetória literária e de sua contribuição para a cultura.

Don segue ampliando sua produção artística, participando de encontros culturais e levando sua poesia a novos públicos, conectando arte, memória, educação e transformação social.

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