Reflexões Necessárias: Don Policarpo na Rádio Assunção Cearense AM 620 e a Atualidade do Dia 20 de Novembro

No ar pela Rádio Assunção Cearense AM 620, a presença de Don Policarpo trouxe uma das conversas mais necessárias do mês de novembro: uma reflexão profunda sobre o significado do Dia da Consciência Negra nos tempos atuais. Não se tratou apenas de uma entrevista, mas de um convite à escuta ativa, ao reconhecimento histórico e ao entendimento da urgência que a data carrega no Brasil contemporâneo.

20 de Novembro: Data de Memória e Movimento

Durante o bate-papo, Don resgatou a importância do 20 de novembro como um marco que ultrapassa o simbolismo. A data que homenageia Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo da história, não existe para romantizar a resistência, mas para lembrar que a luta pela liberdade, dignidade e equidade segue em curso.

Ele pontuou que, apesar dos avanços, ainda vivemos em um país profundamente atravessado por desigualdades estruturais. O 20 de novembro se transforma, então, em uma oportunidade de revisão: o que de fato mudou? Quais desafios permanecem? O que cada um de nós tem a ver com isso?

Contexto Atual: a urgência do olhar coletivo

Um dos destaques da participação de Don foi a forma como ele conectou passado e presente. Ele relembrou que o Brasil ainda convive com indicadores graves: violência racial, falta de representatividade, acesso desigual à educação e ao mercado de trabalho, além de uma herança cultural que precisa ser constantemente descolonizada.

Na entrevista, ficou evidente que falar de Consciência Negra é falar de sociedade, e não apenas da população negra. É discutir como políticas públicas, cultura, mídia e educação podem atuar para quebrar ciclos e abrir caminhos.

A Arte como Território de Resistência

Como artista, Don Policarpo destacou a importância da arte como espaço de denúncia, memória e cura. Ele reforçou que vozes negras no cenário cultural não surgem apenas para entreter: elas registram histórias, tensionam estruturas e inspiram novas narrativas.

A Rádio Assunção tem sido um espaço de troca importante nesse sentido, abrindo caminhos para que discussões como essa alcancem públicos diversos, ampliando a consciência coletiva e convidando a sociedade a questionar, aprender e evoluir.

Responsabilidade Social e Individual

Na conversa, Don também trouxe reflexões sobre o papel de cada pessoa no 20 de novembro. Ele lembrou que consciência não se constrói apenas com postagens em redes sociais ou frases prontas, mas com posturas diárias, escolhas éticas, consumo responsável e atenção às dinâmicas racistas que ainda passam despercebidas por muitos.

Ficou claro que o Dia da Consciência Negra não é uma data isolada, mas um marco para o despertar contínuo — social, político e emocional.

Um Chamado para o Presente

A entrevista de Don Policarpo na Rádio Assunção Cearense AM 620 foi, acima de tudo, um convite. Um convite para ouvir mais e melhor, para acolher histórias, para reconhecer dores e celebrar conquistas.

E, principalmente, para entender que o 20 de novembro não é um memorial ao passado, mas um compromisso com o agora.

Um compromisso com um Brasil que ainda está sendo construído e que precisa, urgentemente, ser mais justo, representativo e consciente.

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Sobre Don Policarpo

Multiartista, geógrafo, escritor, poeta e compositor. Amplamente reconhecido como educador, acumulando mais de duas décadas de forte atuação no cenário cultural paulista e do litoral do estado de São Paulo.
DON POLICARPO
DALVILSON DONIZETE POLICARPO

Técnico em Meio Ambiente, graduado em Geografia, professor da rede estadual e pós-graduado em História da África e Docência do Ensino Superior, Don Policarpo também dedicou 35 anos de sua trajetória profissional ao Metrô de São Paulo, onde atuou como agente de segurança.

Ao longo de sua carreira, envolveu-se ativamente na luta por melhores condições de trabalho. Sua eloquência e seus posicionamentos o levaram a ser eleito para a direção do sindicato, para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e, posteriormente, para a federação da categoria. Também participou da formulação dos Projetos de Lei nº 644/2016, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), e nº 6.369/2016, na Câmara dos Deputados.

Foi durante esse período, ao reunir documentos e registros em defesa de sua categoria, que encontrou material para sua primeira publicação. Em 2018, aos 55 anos, lançou ** Trajetórias e Caminhos da Segurança Metroviária de São Paulo **, obra que aborda a história da implantação do Metrô no Brasil e a criação de seu corpo de segurança. O livro também ganhou uma edição em francês.

A partir dessa primeira publicação, Don Policarpo ampliou sua trajetória literária, transformando experiências pessoais, reflexões sociais e sua relação com a cultura em novas obras. Sua produção passou a reunir poesia, música, história e questões sociais, expandindo sua atuação como escritor, poeta, cantor, professor, roteirista adaptador e ator.

Entre suas publicações, destaca-se a coleção ** A Magia da Poesia Cantante **, projeto que aproxima literatura e musicalidade e que chegou ao terceiro volume em 2026. Sua trajetória artística também inclui outras obras literárias, participações em saraus, apresentações musicais, projetos culturais e iniciativas voltadas à valorização da arte, da educação e da literatura.

Em setembro de 2026, recebeu o Prêmio Mceys Qualidade Brasil, na categoria Escritor e Poeta, durante a 12ª edição do evento, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo. A homenagem representou o reconhecimento de sua trajetória literária e de sua contribuição para a cultura.

Don segue ampliando sua produção artística, participando de encontros culturais e levando sua poesia a novos públicos, conectando arte, memória, educação e transformação social.

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